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Mente Fator de Diferença

menteNo arco e flecha, como no cotidiano de nossas vidas, o estado mental, afeta muito mais que o cansaço físico, técnico ou talento. Diversas variações mentais influem no desempenho da prática diária e no resultado de suas competições. Se o arqueiro fica nervoso durante uma prova a quantidade de flechas perdidas aumenta, e a habilidade de concentração cai vertiginosamente; criando assim um efeito dominó de caráter negativo.

 

Sabemos que a parte mental é 90 a 95% do tiro desde que a forma tenha já desenvolvido uma memória muscular motora, além de um estilo "consistente". Para isso a mente deve ser controlada e a concentração ser boa. Para o ser humano é muito difícil manter sua cabeça fria em momentos críticos, pois os arqueiros desejam  muito atirar uma boa flecha;seus músculos se tencionam e suas largadas variam. Então é necessário usar o subconsciente, removendo a consciência, e enxertar algumas funções sem pensar, (memória muscular motora).

Para entender como realizar isto é necessário saber como nossa mente funciona, para melhor compreensão vamos dividir em duas partes:

 

- Mente Objetiva: controla as ações voluntárias, ou seja, aquelas que desejamos realizar, que dependem exclusivamente de nossa vontade.

- Mente Subconsciente: controla as ações involuntárias, ou seja, aquelas que  ocorrem sem nosso desejo.

 

É a perfeita união destas, em harmonia, a qual nos dá nosso dia a dia; cada uma tendo sua função e atribuição, cada uma interagindo dentro de cada milímetro de nosso corpo.

Hábitos e costumes nada mais são que leis inconscientes da mente subconsciente, pois esta cria formas de obedecer, acompanhar e realizar determinações da mente objetiva, de modo que sejam imperceptíveis.

Para fazer com que o ato de armar o arco, e atirar uma flecha no 10 seja tão rotineiro para nosso corpo, quanto respirar, digerir alimentos, etc; é necessário muito treino, não apenas atirar flechas, mas fazer o tiro perfeito se tornar um hábito, ou seja, a mente objetiva, decide que sejam executadas as ações do corpo por processos de raciocínio e conhecimento, e por intermédio do poder de vontade enviado ao subconsciente é que se define como agir (nervos, sangue, músculos etc, estão sob o controle do subconsciente); como estes todos nossos hábitos são formados de mesmo modo, isto é, durante algum tempo praticamos o ato conscientemente, ordenando a mente subconsciente que o execute, e ela o faz, e pela repetição, o subconsciente o absorve, e começa faze-lo por iniciativa própria, prescindindo do nosso poder de vontade objetiva.

É exatamente porque a mente subconsciente opera com a memória, que se deve ter muito cuidado em que cada tiro dado seja "O” melhor.

Se ao atirar-se uma flecha, de qualquer modo, começamos a

cometer um erro, este poderá se introduzir na memória, e virá a fazer parte de sua rotina, tornando-se extremamente difícil de ser corrigido. A mente subconsciente esta sempre pronta a obedecer a ordens da mente objetiva. As duas mentes trabalham juntas, uma raciocina, pensa, cuida dos detalhes, enquanto a outra jamais faz perguntas, se queixa, argumenta ou recusa obedecer a ordens.

Ela recebe ordens da mente objetiva e executa aquilo que as instruções pedem. Entretanto, quando tivermos estabelecido um código, um roteiro geral de ações, o qual venha a fazer parte habitual de nossa mente subconsciente, esta vira a agir de modo sutil e preciso.

Em todo este nosso complexo esporte, é importante que se di-ga que devemos estar sensíveis á todo o processo de disparo, onde quanto maior a percepção, melhor e mais rápida será ação coordenada desta observação (percepção); isto é, devemos estar atentos e sensíveis a nosso trabalho com o arco em todos os momentos, ao percebermos algo estranho ou errado, deveremos imediatamente identificar, racionalizar, e modificar nossa atitude.

Mas como fazer com que nossa mente subconsciente, aprenda a executar o tiro perfeito, e que este seja o processo disponível a ser utilizada, toda vez que solicitado?

Inicialmente, em treino com o arco, devemos definir a nossa postura, não só confortável como tecnicamente adequada para nós.

Toda vez que fizermos um teste de mudança devemos ter nítida e claramente que é apenas uma tentativa, e não permitir que a mu-dança seja enviada a memória antes de devidamente testada e aprovada.

Quando chegamos ao nosso tiro ideal, entra a fase de criar a rotina básica e padrão, a qual será utilizada em nossa rotina; e é, neste ponto que entra em ação a sugestão (ordem sutil, um pedido, um desejo, ou uma lei da mente objetiva para a subconsciente), podendo aparecer de duas formas: via a percepção, ou pela imaginação e raciocínio, isto é, a visualização.

A visualização nada mais é do que criar uma imagem mental, a qual só deve ser um "meio" para um "fim" que almejamos.

A sugestão é simplesmente o reviver de uma idéia ou experiência, ou a combinação de ambas. Ela libera essas ideias do subconsciente, e sendo contínua tornar-se-á um habito.

Devemos distinguir a verdadeira visualização de uma imagem da memória, esta não provê nada alem de si mesma, ela é incompleta por si só. Por outro lado, a imagem da memória pode ser o começo do desenvolvimento de um pensamento, que pode dar origem a novas idéias. 

Essa imagem da memória deve ser desejada para uma melhor reestruturação do pensamento ou da ação. O que quer que visualizemos deve ter alguma característica de nossos sentidos, além disto, se a verdadeira visualização é a criação mental, então o quadro mental, não pode ser uma imagem estática. Deve ser um ponto de partida para o objetivo almejado.

Toda visualização tem dois objetivos gerais, o primeiro, o aperfeiçoamento de alguma coisa ou condição já existente, e o segundo a concretização de algo que pode ser concebido, seja como alternativa útil, ou como essencial.

 Resumindo o procedimento psicológico da visualização do melhoramento de uma condição que já "existe”, é em seguida o fim que desejamos. Pois se não conseguimos conceber um fim, um objetivo, a visualização criadora é impossível.

O próximo passo é visualizarmos as duas condições isoladas constituindo um todo, mesmo que pareça não ter muita relação.

A faculdade racional criadora produzirá uma síntese, uma unidade de ambas, resultando numa imagem mental do fim procurado. Na visualização abstrata, a razão desempenha um papel muito importante; pois o que ela sugerir, deve ser o fato concreto a ser visualizado. Todos os elementos que pareçam representar esse ideal devem receber uma identidade, de modo que tenham um realismo visual para que possam ser vistos pela visão mental.

A visualização denota ação. Não se trata tão somente da persistência da imagem visual, suponha que você pretenda realizar uma visualização de seu melhor tiro; você visualiza, constrói em sua consciência a sua própria imagem o executando, este quadro mental deve ser tão completo quanto sua mente possa pinta-lo, e deve ter o maior numero de detalhes possíveis, para assim aproxima-lo ao máximo de uma percepção visual real; esta deverá incluir o local (que lhe forneça tranqüilidade), o equipamento; o alvo, as outras pessoas, e a execução dos passos de seu tiro.

Para transformar este quadro em realidade, para que possa ser feita a visualização, extremamente dinâmica, as emoções relacionadas com o quadro mental, devem ser suscitadas. Devemos nos sentir jubilosos, com uma sensação de bem estar, de conquista. No entanto (e isto é importante) a visualização deste procedimento ainda não está completa. Há um hiato, um lapso entre a situação atual do individuo e o desejado quadro mental futuro por conseqüência é necessário que se faça uma análise mental, em termos simples, o que deve ser feito, que ações devem ter lugar para converter a visualização em realidade.

Enquanto mantemos na mente uma imagem viva do que desejamos; devemos determinar a relação entre a imagem e a situação ou condição atual. Em nossas mentes existem imagens latentes, que são lembradas quando visualizamos intensamente, e estas impressões mentais estimulam e despertam idéias relacionadas, na mente subconsciente que imergem como intuição e proporcionam inspiração; favorecendo o sucesso de nossa meta.

A imagem visualizada é registrada no subconsciente, se for bastante clara. Subseqüentemente lampejará na consciência, uma cadeia de idéias, que sugerirão métodos práticos para transformar nossa visualização numa possibilidade. Isto nem sempre ocorre no momento exato; podendo ocorrer em períodos posteriores. Entre a situação presente e a visualização há um hiato que é a falta de relação necessária entre as duas condições para a execução final. A imagem firmemente visualizada pode liberar uma impressão intuitiva (inspiração), a qual sob a forma de conhecimento súbito que preencherá este espaço.

A visualização completa deve então ser armazenada, na memória consciente onde ela pode lembrada. Portanto é importante e preciso que cultivemos o costume de observar cuidadosamente o que visualizamos ou vemos.

A boa observação é o registro da impressão visual, uma aptidão natural em algumas pessoas, e outras devem treinar isto; quando pintar seu quadro mentalmente, não o veja como um todo apenas; procure ver na sua tela mental os componentes do mesmo, o que lhe dará maior realidade ao quadro.

A visualização não é em hipótese alguma, um estado passivo, ao contrário, é uma função ativa da mente e das faculdades psíquicas mais elevadas do homem.

Por si só, este não é um processo mágico; ele deve ser estudado, e praticado para que sua aplicação seja precisa e útil. Michelangelo visualizava um quadro nítido e brilhante de sua criação, antes de começar a trabalhar nela; da mesma forma nós devemos trazer à tela de nossa consciência uma figura clara e definida, com passos bem determinados, um processo a ser observado e realizado sistematicamente, para com o qual venhamos a obter um resultado satisfatório. Também e necessário dominar a mente que vaga, e focalizar atenção num objetivo especifico, e manter tudo isto sobre controle. Além disto, a tendência natural interior de nos prendermos à nossa imagem mentalizada, e remoê-la em nossa mente, não lhe permite ocorrer.

Temos então que deixa-la partir; dispensa-la de nossa mente consciente, por isso é muito bom quando realizamos este processo antes de adormecermos.

Após de termos visualizado nosso tiro perfeito em todos os detalhes, permitindo que nosso subconsciente o analise e registre, devemos partir para o uso dessa visualização, transformando-a em realidade. Para isso nos colocamos diante do aparo, sem alvo, e procedemos alguns tiros, armando o arco, olhando o local onde miramos (por motivo de segurança), fechar os olhos, sentir o corpo realizando nossa criação mental; soltar a flecha, sem a intervenção da mente consciente, exceto, por motivos de segurança.

Caso sentirmos que o tiro não corresponde ao visualizado, voltamos o tiro, até que esteja perfeito, ou seja, o liberamos, com o arco desarmado, de olhos fechados voltamos a visualizar nossa criação mental, que já esta fixa no subconsciente, e então repetimos o disparo.

Uma vez determinado que o objetivo seja alcançado, atiramos com os olhos abertos, e com o alvo, procurando repetir este tiro de forma totalmente consciente. Após um tiro falho, repetimos no intervalo da próxima flecha, a imagem da perfeição. (Não se deve esquecer que a imagem deverá vir acompanhada, da ação completa "e" o sentimento de conquista junto à certeza de que ela irá ocorrer).

Outro detalhe a ser observado, é o quanto é difícil isolar-se num único pensamento, (concentrar-se em uma única coisa). É difícil impedir que outras impressões atraiam nossa atenção. Então ao realizar seu exercício de concentração e visualização, ao invés de estar só em silêncio, escolha um ambiente bem agitado, com luzes, sons, e outras pessoas e atividades.

A razão disto é que não se pode evitar outras impressões, objetividade desde que os olhos estejam abertos, impressões visuais penetram nossa consciência. Quando desejamos focalizar uma só coisa, não excluímos as outras, apenas não lhe damos atenção. O que deve realmente acontecer é darmos atenção a uma só coisa.

Uma grande dificuldade para obtermos uma boa visualização ou

bom disparo; é não conseguirmos nos "desligar" ou "afastar" dos problemas cotidianos, ou ainda momentâneos; quando o correto é relaxar e deixar fluir o bom tiro, que existe guardado em nossos sentimentos e sentidos. É praticamente impossível relaxar e se concentrar numa criação mental, se toda nossa mente se ocupa de pensamentos tais como uma prova difícil na escola no dia seguinte, uma conta para pagar, um desentendimento familiar, etc.

Para isso se deve treinar o corpo, para que quando solicitemos que ele relaxe, ele realmente o faça, sem questionar a lógica.

Existem diversas formas de exercitar este relaxamento, para que quando necessário este entre em uso; uma forma bem simples é sentar ou deitar-se de modo confortável, onde nenhuma luz, ou ruído devem distrair sua atenção, ou ainda perturbar seus pensamentos durante este período, e sentir/visualizar seus tiros, de forma tranqüila e segura, ao mesmo tempo em que a musculatura encontra-se totalmente relaxada.

Analisemos este processo didaticamente, (passo a passo), para melhor compreensão e execução. Inicie concentrando toda sua atenção (mente objetiva) nos calcanhares, depois na sola dos pés, e daí nos dedos dos pés; concentre-se nesta parte do corpo como se esta fosse a única parte de você que estivesse viva e ativa. Após um ou dois minutos, concentre-se nos tornozelos (primeiro um depois o outro), até sentir seus nervos e músculos; então suba para a barriga da perna, até sentir a circulação sanguínea, subindo então de mesmo modo para os joelhos, coxas, até chegar ao abdômen, e aí permanecer até sentir os órgãos internos.

Faça o mesmo com cada braço, depois vá ao tórax, sinta o batimento cardíaco, até estar consciente deste e do ritmo de sua respiração; suba até o rosto, concentrando-se até conseguir sentir os dentes, ouvidos, olhos, até o topo da cabeça.

Se você concentrar-se um minuto em cada parte do corpo, em poucos minutos você ficará relaxado, aumentando o fluxo sanguíneo, purificando e energizando o corpo; após este processo provavelmente seu corpo estará com grande vitalidade, como você nunca sentiu antes.

Muitas vezes pode ocorrer de você adormecer no meio do processo, devido ao extremo relaxamento, não se preocupe, pois além de normal, também é muito positivo, pois lhe dará um bom período de descanso, com alto nível de relaxamento.

Uma vez devidamente treinados, os músculos em relaxamento; ao se pensar neles no momento do tiro, bastará você pensar "MÃO-RE-LA-XE” e ela automaticamente relaxará sem esforço. Da mesma forma, você conseguirá se isolar por algum tempo dos problemas, e sentir seus tiros sejam em treino ou competição. Muito importante é estar habituado à sensação que o relaxamento traz ao corpo, e a mente, para que a simples lembrança desta sensação possa ser projetada dentro de si, quando depois de um tiro ruim.

E é este o nível de concentração e sensibilidade que estamos mais aptos a sentir se algo de errado acontecer durante o disparo; deveremos volta-lo antes que este se complete em resultado negativo.

Numa competição um tiro errado pode nos custar a colocação, e comprometer às vezes um exímio rendimento. No principio este processo pode ser difícil, mas com o treinamento tornar-se-á instantâneo.

 

 

 

Reinaldo Augusto Nunes

Técnico de Arco e Flecha

CREF 7279/P

 

 









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